Na classe dos roadsters de prestígio, o Audi TT 2.0 TFSI tem um brilho especial. Face ao Coupé é 90 kg mais pesado, 2 mm mais baixo, tem menos dois lugares, custa mais 3800 euros e dispõe de uma inovadora capota elétrica em lona. A dinâmica e as performances estão, claro, em alta.

Numa altura em que, cada vez mais, os tejadilhos em lona voltaram a estar na ordem do dia, a Audi resolveu manter a fórmula no novo TT Roadster, que, aliás sempre fez furor, desde a primeira geração. Uma opção perfeitamente legítima que conserva a essência e a tradição de um verdadeiro roadster. Um roadster é suposto ter dois lugares bem “destapados”, um motor potente e reações desportivas. O TT roadster ainda é assim. A Audi empreendeu um considerável esforço de engenharia na criação de um automóvel capaz de gerar emoções fortes. E o objetivo foi atingido: em apenas 10 segundos e a velocidades até aos 50 km/h, o habitáculo fica a descoberto com uma facilidade incrível e a aventura começa.

Utiliza a plataforma MQB (a do VW Golf), é 90 kg mais pesado que o Coupé (por causa da capota, do mecanismo de abertura e do aumento da rigidez estrutural), tem menos dois lugares e… capota elétrica em lona (que pesa menos 3 kg que a do modelo anterior).Vistoso, musculado e elegante, assim se define, em traços gerais, o design do novo TT Roadster.

E se a evolução estilística foi previsível, também há que reconhecer que foi muito bem conseguida. As cavas das rodas musculadas; o imponente capot, onde imperam agora quatro anéis de luxo; os grupos óticos em cunha; o tampão do depósito de combustível em alumínio polido e a forma dos retrovisores (integram os piscas em linha) são detalhes que continuam a estabelecer uma aproximação visual com o R8, também ele renovado. Acima de tudo, o que se mantém intacto é o prazer de condução: este 2.0 TFSI e 230 cv tem potência de sobra e as reações do TT despertam os sentidos do condutor, como seria de esperar de um bom desportivo.

Mas são as mais-valias tecnológicas que o distinguem do roadster da geração passada e o tornam especial. A mais notada é o reforço na conceção em alumínio. Outro dos trunfos é o 2.0 TFSI, um bloco sobrealimentado que combina a injeção direta com a indireta para gerar 230 cv e uma resposta pronta numa extensa faixa de utilização. Este aproveita-se da leveza do TT Roadster e tanto o projeta dos 0 aos 100 km/h em 5,6 segundos (medidos por nós) como permite rolar calmamente em cidade com consumos relativamente contidos. Sempre com uma nota bem audível que nos chega ao ouvido com um “detonação” controlado e muito aprazível.

Outra das grandes inovações é o painel de instrumentos único e exclusivo e totalmente digital (ver caixa) e os comandos do ar condicionado embutidos nas próprias saídas da ventilação e dotados de um design digno de um espólio de arte moderna.

A posição de condução muito baixa, os comandos alinhados com o condutor e a consola central orientada para quem está ao volante são claras indicações da importância que este TT dá à dinâmica.

Por comparação com o Coupé, nota-se que as suspensões são um pouco mais brandas e, com isso, ganha-se mais em conforto do que aquilo que se perde em compostura a alta velocidade. Os travões param o andamento com autoridade, o TT aponta-se para as curvas com uma certeza acima de todas as suspeitas e a direção, muito comunicativa, é rápida a colocar a frente no caminho certo. O eixo dianteiro dificilmente cede às provocações e é possível usar o acelerador para ajustar a conduta do TT em curva, com o sistema quattro a fazer o roadster progredir às quatro rodas de forma rápida e sempre segura. Esta ação decorre com rapidez e exige algum jogo de mãos do “piloto”, mas não é difícil perceber as reações do TT. O comportamento é consistente e progressivo e supera as expetativas para um cabrio, especialmente neste Audi que se impõe pela robustez. Só em situações mais exigentes, como travagens fortes em mau piso, é que nos apercebemos que a rigidez estrutural não está ao nível da do Coupé. Depois, ainda há os modos de condução. Em “efficiency”, por exemplo, o acelerador do TT fica adormecido, tipo “cordeirinho”. Ganha modo velejar e rubrica consumos mais reduzidos... Mas se o colocarmos em modo “Dynamic”, os 230 cv tornam-se omnipresentes e o concentrado de potência compensa bem o prazer de condução que proporcionam. 

 

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