O novo Peugeot 5008 é a mais recente proposta entre os SUV com lotação para sete passageiros.  Aqui enfrenta os seus dois únicos rivais com motores Diesel 1.6, o Nissan X-Trail e a Renault Grand Scénic. SUV ou Crossover, qual a melhor opção para levar sete?

Até há pouco tempo o Nissan X-Trail era o dono e senhor dos SUV compactos com sete lugares, destacando-se por propor um 1.6 Diesel onde apenas existiam rivais com blocos de dois litros. A primeira dificuldade veio do “primo” Renault Grand Scénic (feito com base na mesma plataforma e com os mesmos motores), que trocou as raízes de “cinzento” monovolume por uma injeção de ADN SUV e passou a ser um muito mais moderno e apelativo Crossover. Como se isso não fosse desafio suficiente, a Peugeot acaba de introduzir o novo 5008, que passou, assumidamente, a ser um SUV, mas não esqueceu que é importante sustentar o estilo com algo mais substancial, mantendo atributos como espaço e modularidade.

Com os motores Diesel 1.6 da classe dos 120/130 cv de potência e sem considerar promoções, todos possuem preços entre os 34 000€ e os 39 000€, embora a Nissan tenha uma promoção (prémio tecnologia) que, em traços gerais, permite comprar a versão mais equipada do X-Trail (Tekna) pelo preço das versões base dos seus dois rivais; e com a entrega de uma retoma e adesão ao crédito da marca o desconto ainda é maior. Em concreto, pelos cerca de 37 000€ de um X-Trail 1.6 dCi igual ao destas imagens, só conseguimos um 5008 1.6 BlueHDI Active enriquecido com opcionais como a navegação, a pintura metalizada, o tejadilho preto e mais alguns pormenores de conforto. Para termos o equipamento equivalente no 5008 é preciso optar pelos níveis Allure ou GT Line e equipá-los com a quase totalidade das opções, o que resulta num preço superior a 43 000€. E o Renault também não consegue bater a relação preço/equipamento do “primo” Nissan: o 1.6 dCi associado ao nível Bose Edition fica por pouco mais de 38 000€ e quando esgotamos a lista opções obtemos os 42 080€ da unidade ensaiada. 

Habitáculos recheados

Apesar de ser o menos interessante em matéria de relação preço/equipamento, a verdade é que a versão Active do 5008 bem especificada com os opcionais permanece bem apelativo; apenas abdicamos do assistente de máximo automático (que até não funciona muito bem), das funções amplify do i-Cockpit (mudança de cores e seleção de cheiros), do botão sport (acelerador mais sensível e direção mais firme), dos bancos em pele com massagem e do portão traseiro de abertura, soluções só disponíveis nos níveis Allure e GT Line elétrica. Em contrapartida, o 5008 tem o habitáculo mais espaçoso por uma boa margem, ao que soma a maior bagageira e o tato mais Premium em matéria de qualidade, com o painel de instrumentos digital apresentado no ecrã de 12,3” com vários grafismos e inclusão da navegação a ser responsável pela contribuição tecnológica. Não esquecendo que muitos dos clientes podem vir do anterior 5008, este novo SUV mantem soluções de versatilidade típicas de monovolumes, como os bancos individuais da 2ª fila (os do X-Trail e da Grand Scénic também regulam longitudinalmente e em inclinação das costas, mas fazem-no com menor amplitude e o lugar central e da direita estão juntos), os alçapões no piso da 2ª fila (que o Grand Scénic também possui) e os bancos da 3ª fila amovíveis, que aumentam o espaço de bagagem em 80 l. De facto, o Grand Scénic só não é batido neste jogo, que devia ser uma especialidade dos monovolumes, devido ao rebatimento remoto (inclusive através do tablet central do sistema de infotainment R-Link) dos bancos da 2ª e 3ª fila, à consola central deslizante, ao porta luvas gigante e ao espaço próprio para guardar a chapeleira. A somar a esses predicados, sobretudo neste nível Bose Edition repleto de equipamento e com alguns luxos, o Grand Scénic consegue o ambiente interior mais tecnológico e sofisticado, sendo dono de um dos melhores sistemas de infotainment disponíveis no mercado nesta classe de preços.

Sem poder competir no espaço, na modularidade do mesmo (é um “simples” sete lugares com bancos escamoteáveis na 3ª fila e de ajuste longitudinal na 2ª) e na qualidade do habitáculo, tanto devido ao desenho mais conservador como ao aspeto menos preciso da montagem de alguns elementos, o X-Trail tem no completíssimo equipamento o seu grande trunfo, sendo, por exemplo, o único com abertura elétrica do portão traseiro, bancos elétricos e uma verdadeira visão 360º em todas as circunstâncias.

Condução dinâmica

A evolução dos chassis, incluindo os sistemas de direção elétricos, suspensões e pneus, permite que estes carros grandes e com pesos superiores a 1,5 toneladas tenham uma dinâmica que faz a inveja a desportivos do início do século.

Uma das vantagens de optar pela versão Active do 5008 está nas jantes de 17”, as quais conferem ao SUV Peugeot um pisar muito refinado em bons pisos sem ser afetado pelo amortecimento saltitante das versões com jante de 18” em pisos irregulares, aspeto que casa particularmente bem com os seus comandos leves e progressivos, ajudando, assim, a fazer do 5008 o carro mais suave de conduzir do trio. E o comportamento também melhora com as jantes de 17”, pois os pneus mais altos e tem uma deriva ligeiramente superior que acalma a resposta à direção e atrasa a entrada em ação da eletrónica de apoio ao chassis, cuja ação é, regra geral, abrupta. Mas o que decide a minha preferência pelo 5008 em matéria de condução é a suavidade e disponibilidade do motor a baixos regimes, sendo o único que responde com binário doseável logo a partir das 1100/1200 rpm, faculdade que, bem explorada, lhe permite fazer os consumos mais baixos. Por oposição, mostrando o seu carácter de 8 válvulas, acima das 3000 rpm é mais lento a subir de regime e os consumos disparam mais que nos seus dois rivais se optarmos por essa faixa do conta-rotações. Já o 1.6 Diesel 16v da aliança Renault/Nissan é mais cru a baixos regimes, tem uma explosão na casa das 2000 rpm e, depois, sente-se mais potente e elástico a alto regime, admitindo ser puxado até às 4500 rpm. Porém, para além de fazer todo este trabalho de forma mais ruidosa que o 1.6 BlueHDI da PSA montado no 5008, apenas no Grand Scénic esta explosão se manifesta em prestações realmente superiores, seja em acelerações seja nas recuperações. Quando entramos mais depressa numa rotunda ou fazemos uma sequência de curvas com a atitude de um GTI, o Renault também é o mais eficaz, com um bom controlo de carroçaria e uma eletrónica bem calibrada, que ajuda o eixo traseiro a moldar-se à atitude pedida pelo chassis; o Grand Scénic também é o único a oferecer cinco modos de condução, com um deles configurável.

E o Nissan? Bem, mais uma vez o X-Trail mostra ser o mais antigo do trio. Em concreto, sobretudo em pisos de menor aderência, mostra dificuldades de tração até 3ª velocidade e faz chegar reações de binário à direção, resultando numa experiência de condução menos controlada e refinada, embora a sua suspensão multibraços no eixo traseiro até lhe permita ser o mais ajustável de acelerador (é o único que permite desligar o ESP) e o que melhor absorve irregularidades desniveladas. Infelizmente, é o que faz mais ruído de motor e de suspensão.   

SUV ou Crossover?

A primeira conclusão deste comparativo é que entre os sete lugares deste segmento ser apenas SUV ou monovolume não chega, agora, desde que chegaram ao mercado os novos Renault Grand Scénic e Peugeot 5008, é preciso somar virtudes de ambos os lados para ter hipótese de ser o melhor ou o mais completo. Quer isto dizer que o Nissan X-Trail é um mau carro? Não, longe disso. Na realidade, se o uso da lotação total é muito ocasional e em trajetos curtos, o seu posicionamento comercial, com uma relação preço/equipamento imbatível (sobretudo para os clientes que já estão na marca), passa a ser muito mais relevante do que o espaço (ou falta dele) na 3ª fila de bancos; também é o único que tem uma opção 4x4 com motor 1.6 Diesel e que pode ser adquirida por valores inferiores a 36 000€.

Mas para quem quer mesmo sete lugares o Grand Scénic e o 5008 são melhores, com o SUV a bater o Crossover por ser ligeiramente mais refinado de conduzir e, não sem alguma surpresa, ter uma combinação de espaço e soluções de versatilidade do mesmo superior.

Assine Já

Edição nº 1460
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes