A chegada de um Audi A3 renovado é motivo mais do que suficiente para o colocar à prova frente a outras duas referências do mercado da gestão de frotas:  Volvo V40, também ele alvo de um restyling recente e Mercedes-Benz Classe A, um dos preferidos dos portugueses. A bem da renda mensal, escolhemos os motores mais apetecíveis, Diesel com potências entre os 110 e os 120 cv.

Finalmente a sua empresa dá-lhe um carro de serviço com renda na casa dos 400€ (PVP a rondar os 30 mil euros), talvez um pouco mais e, por uma questão racional terá que alimentar-se a gasóleo. Obviamente o seu sonho seria um desportivo, mas as crescentes obrigações familiares aconselham antes um pequeno familiar de prestígio. Uma das escolhas óbvias será o “veterano” Mercedes-Benz Classe A 180d. O modelo da estrela tem o estatuto que pretende, o preço (quase) certo e até as cinco portas que se exige para facilmente acomodar o mais novo membro da família no banco traseiro.

A Audi resolveu complicar as contas do segmento. Lançou um renovado A3 que, não perdendo de vista as tão apregoadas aptidões familiares da carroçaria Sportback, deu um salto de gigante em termos de tecnologia, infotainment e novos opcionais. A versão 1.6 TDI Sport com 110 cv, por exemplo, não está longe em termos de preço, tem uma imagem igualmente reputada e os 380 litros de mala são uma boa solução para a família.

O que escolher?

Então mas as escolhas neste segmento cingem-se a estas duas propostas? Quase, mas não necessariamente. É verdade que Mercedes e Audi à sua conta têm enorme quota nas vendas de A3 e Classe A para as frotas, mas há mais. E como também se trata de uma novidade, que tal incluirmos neste comparativo o Volvo V40 D2, agora com motor 2 litros com 120 cv de potência? Deixamos de lado os mais antigos deste lote de modelos, BMW Série 1 e Volkswagen Golf (sendo que este último vende mais na variante Station, carroçaria que nenhum dos outros contempla) e vamos perceber o que valem esta três propostas.

Claro que nas contas das empresas tem tudo a ver com números e rendas mensais, o que acaba por ser um fator decisivo, mas deixando esse argumento para as duas páginas extra deste comparativo, cingimo-nos ao que habitualmente fazemos: analisar os modelos de acordo com a rigorosa tabela de pontuação do Autohoje.

As linhas exteriores podem até definir o tipo de cliente que cada uma das propostas vai atrair. O Audi A3 Sportback é a “carrinha”. O formato é convencional e as linhas são mais direitas, por isso pertence-lhe a maior bagageira com 380 litros. Segue-se o Mercedes Classe A, um dos preferidos do segmento, com 341 litros, mala que nem sequer é muito maior que a do Volvo V40 com 335 litros de volumetria. Também pelo formato mais convencional, o Audi tem o melhor acesso. Na habitabilidade, Mercedes e Volvo levam a melhor. Ambos aproveitam muito bem o espaço interior acabando por serem mais desafogados que o Audi ao nível das pernas. O A3 acaba por ser o mais largo e o mais alto no banco traseiro.

Preocupações familiares

As preocupações familiares são extensíveis ao próprio equipamento de segurança, com o Classe A a destacar-se pela oferta dos sistemas Collision Prevention Assist e do Adaptative Brake System, bem como dos sete airbags e do Volvo, com o City Safety que inclui os mesmos elementos. O Audi “dispensa” estas ajudas ativas de série, mas mantém os sete airbags. A qualidade geral e a insonorização são dois items onde o Volvo faz questão de mimar os ocupantes. A escolha dos plásticos no interior é primorosa e também a sensação de solidez que transmite. O Mercedes segue o Volvo de muito perto no que à qualidade diz respeito, ainda assim existem materiais menos bons posicionados na consola central, apesar das melhorias introduzidas com o último restyling. Mas no capítulo qualidade é o Audi que leva a melhor. A escolha de materiais é criteriosa, como aliás sempre foi, mas a superioridade vê-se em detalhes, como na junção do forro do tejadilho com o para-brisas ou até no próprio desenho minimalista do tablier, de um requinte e bom gosto de grande nível. Ao nível do conforto acústico, o Classe A perde pontos. O motor 1.5 de origem Renault começa a acusar o peso dos anos e é o que mais se ouve dentro do habitáculo. O 1.6 TDI de 110 cv do Audi está muito bem dissimulado e o 2 litros do Volvo é silencioso.

O conforto de rolamento acaba por ser o reflexo do posicionamento mais “desportivo” desta versão do A3, uma vez que conta com o Kit S Line e as respetivas jantes de 18” e suspensão desportiva. Não é difícil motivar criticas dos ocupantes, pois sente-se falta de alguma capacidade de absorção das irregularidades, mas nunca há falta de solidez. O Classe A tem um bom compromisso da suspensão rebaixada com jantes de 17”. Pode não ser a melhor solução para o conforto, mas nunca chega ao “desespero” da suspensão AMG e sempre reforça a componente dinâmica. O V40 é o mais confortável dos três. Não há suspensão desportiva, e as jantes de 16” ajudam a que saia vencedor neste capítulo.

Com níveis de potência idênticos, também as medições Autohoje revelaram valores semelhantes nas acelerações, com o Mercedes, ainda assim, a ser o mais lento nos clássicos 0 aos 100 km/h e no quilómetro de arranque. Já nas recuperações, o facto de ter um motor maior e mais potente leva a que o Volvo rubrique os melhores valores.

Sempre importantes são os consumos, com o Audi a levar vantagem ao rubricar consumos abaixo dos 5 l/100 km. A caixa de relações longas privilegia este aspeto. O Volvo também é muito económico, conseguindo uma média abaixo dos 5 l/100 km pelo facto de nos consumos a 90 e a 120 se manter dentro de parâmetros muito apetecíveis. Já o Mercedes tem o pior desempenho em ambiente urbano pelo facto de rolar durante mais tempo em regimes de rotação mais elevados, ainda assim, no geral gasta pouco.

Na dinâmica, o A3 volta a merecer elogios. O eixo dianteiro é muito voluntarioso, criando situações de condução muito divertidas, sempre complementadas por um chassis muito ágil. As jantes de 18 e a suspensão desportiva também ajudam. Segue-se o Classe A, eficaz e com uma direção direta, mas com um eixo dianteiro menos acutilante que o do Audi. O V40 fica com a medalha de bronze. É o mais confortável, mas é também o mais filtrado. O amortecimento mais suave não tem a pretensão de controlar tão bem os movimentos laterais da carroçaria. 

Em jeito de conclusão, e resumidamente, se a escolha depender da renda, terá de se sujeitar ao que a empresa optar. No caso de poder escolher por si, são três modelos nos quais o gosto pessoal irá refletir a compra final. São três opções passionais com muitas vertentes racionais.

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