Sandro Meda

Prioridades em choque

Continuam a surgir relatórios a garantir não haver lítio em quantidade suficiente para produzir baterias em massa; e ainda não se conhece tecnologia alternativa viável à alimentação de veículos elétricos, embora, nos bastidores, se segrede que algo de verdadeiramente revolucionário poderá estar à beira de ser anunciado. Portanto, perante este cenário, os automóveis elétricos como hoje os conhecemos (com mais ou menos autonomia, kWh ou tempo de recarga) são mais uma coisa do presente do que de futuro. E nesta matéria, o final de 2017 tornou-se num hiato temporal que se deverá prolongar até meados de 2018, quando os novos modelos elétricos, que estão a ser ultimados (nuns casos desde há muito, noutros mais à pressa) começarem a chegar em catadupa ao mercado. É essa lista dos inscritos para o maior sprint automóvel da próxima década que lhe antecipamos nesta edição.

Mas por cá, para os anos mais próximos, porque a vida sabe sempre regenerar-se, as viagens pelo país serão negras. Literalmente, sem referência irónica às emissões dos motores de combustão.

Miúdos e adultos, nenhum fica indiferente ao cenário apocalíptico que temos hoje no território nacional: os mais pequenos evocam o filme Lorax, história onde entra um vilão baixinho barrigudo, também com um riso gozão; os mais velhos choram a paisagem que, sabem, já não verão reposta em tempo útil; a muitos outros não sobrou sequer nada para lamentar. Há fale de crime nas nomeações políticas de tanta incompetência. No mínimo, sei que torna ainda mais ridícula a perseguição (que não existe nos outros países onde a riqueza não se esfuma) aos portugueses que compram carros novos, que circulam com antigos, que pagam o combustível e os impostos, com o dedo sempre apontado a cada grama de CO2, quando assistimos, há meses, à destruição maciça de milhares de hectares de área verde; milhões de metros cúbicos de água potável; ao desperdício de toneladas de matéria prima, milhões de kW e cisternas de combustível em catadupa, dia e noite, semanas a fio. As prioridades nacionais continuam impecavelmente concatenadas...

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